A INFLAÇÃO NO PREÇO DOS ALIMENTOS EM OUTUBRO/2022

A apuração de nossa consultoria representa o índice de inflação nas compras das empresas de alimentação, que compreende um serviço completo diário: café da manhã, almoço com sopa, lanche de tarde, jantar e ceia, com preço à vista, cuja pesquisa é realizada no mercado atacadista de alimentos, portanto não considera custos com fretes e reciprocidade de fornecedores.

A inflação apurada no mês de outubro de 2022 atingiu 0,2%, estando em linha com o IPCM (Índice de Preços ao Consumidor – Mercado) e IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) (vide quadro comparativo a seguir). No acumulado do ano, a inflação que nossa consultoria apura atingiu 7,3% e, nos últimos 12 meses, 8,7%, demonstrando uma tendência de queda.

  1. Inflação em outubro/22

Aproximando-se mais do fim do ano, podemos olhar para trás e observar o “sobe e desce” que houve na linha do índice da inflação desse ano de 2022.

Com a interferência do clima, surgiram grandes consequências, no início do ano com fortes chuvas que prejudicaram plantações em regiões como Sudeste, e depois o Sul, com o clima oposto, em período de seca, que resultou nas alterações de preços em cada mês. Os extremos climáticos reduziram a oferta de mercadorias diversas, como verduras e legumes, o que afetou os preços finais ao consumidor.

E no mês de outubro não foi diferente. Um mês mais cinzento e gélido, com baixas temperaturas e chuva em excesso, perfez grandes prejuízos em algumas produções e plantações de raízes, caules e tubérculos.

A batata, sendo um exemplo de tubérculos, teve seus preços elevados, subindo 5,31% sobre o mês anterior (set/22). Já nas raízes, a mandioca disparou e teve um aumento de 22,16%. No grupo dos caules entra a cebola que, por sua vez, teve uma das maiores taxas de aumento em seus preços, de 26,18%. Esses alimentos impactaram o setor das guarnições e foram os responsáveis pelo 1,55% obtido no mês de outubro.

Mas o grande “campeão” com o maior aumento em seu valor vai para o tomate, que atingiu 32,51% sobre setembro, impactando diretamente o grupo das saladas, que perfez 3,46%.

O café também sofreu desse mesmo fator climático, elevando seus preços em 3,29%.

Esses aumentos vieram por consequência do clima. Normalmente as frutas, verduras, legumes e hortaliças têm produções maiores e melhores quando o volume de água com que são regados e tratados é controlado. Mas como estão se aproximando estações em que a chuva é constante e de forte intensidade, para o cultivo desses alimentos isso não é uma boa notícia. A oferta desses produtos cai e não só a procura por eles aumentam, como também os preços, uma forma de compensar essa baixa produção e os produtores não terem tanto prejuízo.

Mas não foram todos os grupos de alimentos que seguiram essa ordem de aumento: os setores de temperos e molhos para saladas foram os grupos com maior índice de queda, obtendo -9,37%. Os responsáveis foram o shoyo (- 30,12%), o azeite (- 4,79%) e o óleo (- 1,25%).

Os populares e queridinhos nos pratos diários dos brasileiros, o arroz e feijão, também tiveram uma baixa em seus preços resultando, respectivamente, -1,69% e -3,45%.

  1. Índices oficiais versus índices reais de inflação da alimentação

Comparativamente aos índices oficiais, temos o seguinte quadro comparativo, que corrobora com o cálculo acima: reajuste nos preços de venda versus inflação nos alimentos (fonte: Valor Consulting).

ÍndiceOutubro/22Acumulado

2022

Últimos

12 meses

Acumulado

2021

Índice da JL Consultoria0,20%7,30 %8,70%24,00%
IPCA0,16%4,79%6,85%10,42%
INPC (set.)-0,32%4,31%7,19%9,36%
IGPM-0,97%5,58%6,52%17,79%
IPA M-1,44%5,77%6,46%20,58%
IPC-M0,50%3,18%5,01%9,32%

Temos destacado em artigos de meses anteriores a deterioração no lucro das empresas de alimentação corporativa. Enquanto o impacto nos custos de alimentação é de 8,70%, os reajustes de preços, em maioria pelo IPCA (6,85%), que nem sempre são repassados na íntegra, produzem uma redução direta sobre o RBO (Resultado Bruto Operacional) e, consequentemente, no lucro final da empresa.

Caso haja mudança nos cardápios, diminuindo sua qualidade com objetivo de diminuir prejuízos, possíveis impactos indiretos são a insatisfação do cliente e possível ruptura de contrato, diminuindo a probabilidade de fidelização desse cliente. Desta forma, o impacto econômico e financeiro nos últimos 12 meses pode ser medido da seguinte forma: 60% dos custos de matéria-prima sobre os custos totais da unidade operacional = 60%, diferença entre a inflação medida pela JLucentini e o IPCA (de 8,70% – 6,85% = 1,85%) e, consequentemente, perda possível no RBO = 60% x 0,0185 = 1,11%.

  1. Seu lucro está sendo consumido?

Caso sua empresa esteja em situação similar à descrita nesse artigo, podemos ajudá-lo. Nossa experiência permitirá ajudar a sua empresa a encontrar a melhor relação custo-benefício em toda a sua cadeia produtiva, de venda e retenção de clientes. Não deixe de nos contatar.

 

Cordial abraço,

José Carlos Lucentini, Masc.

CEO

 

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klaus@jlucentini.com.br

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Referências bibliográficas:

ALVARENGA, L. Inflação em alta: veja os alimentos que mais subiram de preço em outubro. Disponível em: <https://fdr.com.br/2022/10/26/inflacao-em-alta-veja-os-alimentos-que-mais-subiram-de-preco-em-outubro/>. Acesso em 06 de nov. de 2022.

CUNHA, R. Tomate e batata ficarão mais caros com a proximidade do verão. Disponível em: <https://enfoco.com.br/noticias/brasil-e-mundo/tomate-e-batata-ficarao-mais-caros-com-a-proximidade-do-verao-84495>. Acesso em 06 de nov. de 2022.

VIECELI, L. Inflação dos alimentos é a maior até setembro desde o início do Plano Real. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2022/10/19/internas_economia,1409083/inflacao-dos-alimentos-e-a-maior-ate-setembro-desde-o-inicio-do-plano-real.shtml>. Acesso em 06 de nov. de 2022.